A Península de Setúbal tem condições únicas no respeitante a ordenamento do território, infraestruturas logísticas, know how tecnológico e capital humano para ser o mais relevante território industrial do País

NUNO MAIA SILVA | Director Geral da AISET, em representação da Secil

O Setubalense – Diário da Região » Supl. Especial, 26-07-2019

A Península de Setúbal é um território industrial de primeiro plano para o Pais desde a década de 1960, quando ao Complexo Industrial da CUF no Barreiro e ao fabrico de cimento na Arrábida se acrescentaram indústrias siderúrgicas, de construção e reparação naval, celulose e metalomecânica, entre outras.

A infraestruturação deste território prosseguiu com a construção da Ponte sobre o Tejo, a crescente urbanização, a construção da autoestrada Lisboa-Setúbal e a modernização do Porto de Setúbal.

Nos anos 80, muita desta actividade industrial sucumbiu por razões internas ou de competitividade externa face à nova realidade da comunidade europeia, sendo retomado o fulgor industrial com o relevante empreendimento da fábrica VW Autoeuropa.

Hoje, a Península de Setúbal tem condições únicas no respeitante a ordenamento do território, infraestruturas logísticas, know how tecnológico e capital humano para ser o mais relevante território industrial do País, vocacionado para a exportação e para a criação de Valor Acrescentado Bruto Nacional.

A Indústria da próxima década será já muito diferente da actual, fortemente digital e condicionada pelos desafios da descarbonização e circularidade da economia, pelo que o investimento em modernização tecnológica e a criação de um ecossistema colaborativo, com forte integração de cadeias de fornecimento locais, são factores cruciais de solidificação e competitividade global da Indústria da Península.

A existência de mais de uma dezena de grandes empresas industriais e exportadoras num território infraestruturado e com capacidade formativa é um excelente ponto de partida para a criação de uma Zona Industrial de Referência, capaz de crescer e ser mais competitiva numa economia cada vez mais global.

Para tal, é necessário financiamento apropriado, um quadro realista de transição energética, investimento público em educação de qualidade e legislação laborai que incorpore as variações de ciclo que afectam as indústrias fortemente orientadas para a exportação.

A articulação de adequadas políticas públicas de longo prazo com a elevada capacidade tecnológica existente e a mobilização de capital humano capacitado permitirá a criação sustentável de riqueza e a consequente coesão social, ultrapassando definitivamente um passado não muito distante de pobreza e conflitualidade social.

Os desafios globais da próxima década só serão vencidos e trarão prosperidade com uma estratégia de longo prazo que mobilize poderes públicos, empresários e cidadãos. A Indústria da Península de Setúbal está ciente do seu papel e empenhada em o cumprir.

O autor deliberadamente não respeita o novo Acordo Ortográfico.