Raul Tavares

Sem Mais Jornal, 14-09-2019

Quando a AISET – Associação da Indústria da Península de Setúbal – foi lançada, ocupou um vazio que se notava de forma evidente no associativismo empresarial da região.

Tenho ideia que não foi fácil, por uma razão que às vezes escapa na análise de muitos protagonistas do nosso burgo: As grandes empresas, nunca quiseram, verdadeiramente, imiscuir-se nas coisas de casa.

De certa forma, esse lugar foi sempre ocupado por causas menores. Não adianta agora abordar o assunto.

Foi num ambiente de crise que os grandes empresários da região quiseram sair a terreiro e, desde então, têm tentado ocupar o seu lugar, legítimo, de grandes ‘players’do desenvolvimento regional. Valem muito, na dinamização da economia regional, pelo emprego que criam, pelos milhões que investem no mercado endógeno, e por serem campeões das exportações.

Com a missão de afirmar, à região e ao país, que desenvolvem a sua atividade de excelência, numa península de excelência, procurando fazer valer a sua dimensão estrutural – seja de um passado já longínquo, seja de um presente pujante, mau grado a incerteza cíclica dos mercados internacionais – a AISET incorpora, hoje, a frente do debate sobre o desenvolvimento regional.

Neste cenário, não é despiciendo que a AISET tenha chamado a si a luta pela reorganização orgânica das Nuts, que faz com que a Península e os seus ‘stakeholders’ percam milhões e milhões de euros em fundos comunitários. A sua força e dimensão podem fazer a diferença nesta questão tão sensível para o nosso futuro.

Esse envolvimento tem acontecido também por via da organização de conferencias cirúrgicas, corno as que vão ocorrer esta próxima semana (17 e 18), durante o 2.° Fórum Empresarial. E aqui, a nomeação do diretor-geral, Nuno Maia, tem sido decisiva, porque conhece bem a região e os seus problemas.

Serão dois dias de discussão, incluindo um debate com os cabeças de lista das principais forças políticas, e a presença do ministro da Economia. Altura para medir programas e levantar as questões que o poder político deve encarar de frente para esta nossa região nem sempre vista da melhor maneira, mas que, no cômputo geral, representa muito no contexto nacional.

Para quem está de fora, e vê este caminho de coesão regional como um fator decisivo, não pode deixar de se sentir aconchegado pelas empresas dizerem presente. Porque estas são, afinal, o cimento da estabilidade, e representam a força de fixar população, ganhar escala, promover a inovação e projetar futuro.